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João Campos sofre primeira derrota e PSB fica sem governo e sem prefeitura do Recife pela 1ª vez desde 2006

João Campos durante agenda no bairro de Santo Amaro, na área central do Recife Reprodução/TV Globo Após três vitórias políticas consecutivas entre 2018 ...

João Campos sofre primeira derrota e PSB fica sem governo e sem prefeitura do Recife pela 1ª vez desde 2006
João Campos sofre primeira derrota e PSB fica sem governo e sem prefeitura do Recife pela 1ª vez desde 2006 (Foto: Reprodução)

João Campos durante agenda no bairro de Santo Amaro, na área central do Recife Reprodução/TV Globo Após três vitórias políticas consecutivas entre 2018 e 2024, incluindo dois recordes de votação, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) sofreu a primeira derrota política da carreira após ser derrotado pela governadora Raquel Lyra (PSD), que foi reeleita no 1º turno neste domingo (04). Com o resultado, o PSB fica pela primeira vez sem ocupar o governo do estado e a prefeitura do Recife desde 2006, quando Eduardo Campos foi eleito governador pela primeira vez. O partido conquistou o comando do estado por quatro pleitos seguidos de 2006 a 2018, com dois mandatos de Eduardo e dois de Paulo Câmara. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE No Recife, venceu quatro eleições de 2012 a 2024, com dois mandatos de Geraldo Julio e dois de João Campos. Com a renúncia de João Campos este ano, a cidade passou a ser comandada por Victor Marques (PCdoB), seu aliado, mas que não é filiado ao PSB. Agora no g1 Tanto João, de 32 anos, quanto Raquel, de 47 anos, acumulavam vitórias em todas as eleições que disputaram. Os dois candidatos são filhos de ex-governadores e, hoje, os principais representantes de seus grupos político familiares. Para a cientista política e professora Priscila Lapa a derrota de João Campos para Raquel Lyra está ligada ao peso do "incumbente", nome que se dá a quem está ocupando determinado cargo público: "Tem muito a ver com o voto de estrutura, a gente nunca pode subestimar o peso do incumbente. Isso é um clássico na ciência política e a gente trabalha essa perspectiva dentro da teoria, de buscar essa variável explicativa. De ver o quanto você tem a estrutura de cargos, de poder fazer uma base estruturante com municípios direcionando recursos, direcionando as obras, os investimentos. Isso é decisivo na eleição para o governo", afirmou. Apesar disso, a professora acredita que exista sim um cansaço com a família Campos, que venceu a maior parte das eleições majoritárias (governo estadual e prefeitura da capital) nas últimas duas décadas. "Existe um cansaço natural de forma política, do processo político, mas tem aí também um protagonismo da família Lyra, que não é nem de um grupo político. Esse grupo político, na verdade, ele nem existe, ele está sendo consolidado agora. Os Lyra eram quase que um braço acessório da família Campos, do Arraesismo. Eles compunham o mesmo braço político. Esse descolamento entre os Campos e os Lyra está começando a acontecer agora com a liderança de Raquel Lyra, que fez uma trajetória de descolamento da Frente Popular (grupo político de Arraes, Eduardo e João), dessas forças tradicionais com que ela iniciou a sua trajetória política", disse. Filho de Eduardo Campos e bisneto do ex-governador Miguel Arraes, João Campos entrou oficialmente na política em 2016, ao assumir a chefia de gabinete do então governador Paulo Câmara, na época no PSB. Em 2018, João disputou sua primeira eleição e foi eleito o deputado federal com a maior votação para o cargo da história de Pernambuco. Em 2020, João Campos estreou em eleições majoritárias e concorreu à prefeitura do Recife representando o grupo político de seu partido, que comanda a prefeitura desde 2012. Foi eleito no 2º turno após uma dura disputa com a prima, Marília Arraes (na época pelo PT e atualmente no PDT) e se tornou o mais jovem prefeito eleito para o cargo na história da cidade, aos 27 anos. Em 2024, João Campos foi reeleito no 1º turno com mais de 78% dos votos válidos, a maior votação da história da cidade desde a redemocratização. Em abril deste ano, o político renunciou à prefeitura do Recife para concorrer ao governo de Pernambuco. Com altos índices de popularidade e fama nacional pelo sucesso nas redes sociais, o bom resultado nas urnas em 2024 colocou João Campos como candidatura natural nas eleições pelo governo do estado. As primeiras pesquisas mostravam o candidato como favorito. Mais de um ano antes da eleição, pesquisa Quaest apontava João Campos na liderança na disputa pelo governo com 56% das intenções de voto contra 28% de Raquel Lyra. A partir de 2026, o confronto se acirrou e a popularidade da governadora cresceu. Em maio, o Datafolha apontou virada em favor de Raquel, que viu a vantagem se reduzir na reta final e a eleição voltar a se acirrar. Para Priscila Lapa, a derrota de João Campos não significa, exatamente, uma queda do grupo político, apesar da segunda derrota consecutiva do grupo em disputas pelo Poder Executivo. "João Campos não vence a eleição, mas o seu irmão vence [Pedro Campos, eleito deputado federal], Maria Arraes vence a eleição [para deputada estadual], Marília Arraes vence a eleição [para o Senado]. Então, a gente não pode falar de uma derrota dos Campos-Arraes. A gente fala de uma derrota específica do João e de uma vitória específica, duas vitórias consecutivas, de Raquel Lyra", completou. LEIA TAMBÉM: Tradições familiares, viradas e tragédias: eleições são marcadas por disputas históricas Raquel Lyra foi reeleita com 4º menor percentual de votos, na 5ª eleição mais acirrada Guerra judicial, gabinete do ódio, disputa apertada e troca de acusações: o que marcou a campanha em PE Pelo menos 29 deputados eleitos declararam apoio à reeleição de Raquel Lyra ou são de partidos aliados; veja como devem ficar bancadas na Alepe Família Campos - Arraes Considerada umas das mais tradicionais famílias de políticos do Brasil, os Arraes ascenderam em Pernambuco a partir de Miguel Arraes (1916 - 2005). Nascido no Ceará, mas criado em Pernambuco, Arraes foi um advogado que entrou na política na década de 1940 ao assumir a Secretaria da Fazenda do Estado no governo de Barbosa Lima Sobrinho (1897 - 2000 ), em 1948. Foi deputado estadual por dois mandatos e três vezes eleito deputado federal. Prefeito do Recife entre 1959 e 1962, deixou o cargo para ser eleito governador pela primeira vez em 1962. Foi deposto do cargo em 1964 pela Ditadura Militar e passou mais de 14 anos no exílio. Após retornar, beneficiado pela Lei de Anistia de 1979, foi eleito mais duas vezes governador, em 1986 e 1994, e derrotado na tentativa de reeleição, em 1998. Miguel Arraes tem o recorde de pessoa que mais vezes foi governador de Pernambuco. Seu neto, o economista Eduardo Campos (1960 - 2014), filho de Ana Arraes [hoje ministra do TCU] com Maximiano Campos, entrou na política como chefe de gabinete do avô, em 1987. Foi deputado estadual por um mandato e eleito três vezes deputado federal. Foi secretário da Fazenda no governo do avô, na década de 1990. Entre 2003 e 2006, foi ministro da Ciência e Tecnologia no primeiro mandato do presidente Lula (PT). Foi eleito governador de Pernambuco em 2006 e reeleito em 2010, com a maior votação da história do estado até a atualidade. Eduardo se lançou candidato à Presidência da República em 2014, mas morreu após sofrer um acidente aéreo no início da campanha eleitoral. Além de Miguel Arraes, Eduardo Campos e João Campos, outros expoentes da família disputaram e foram eleitos nas últimas décadas do estado: Ana Arraes (filha de Miguel e mãe de Eduardo) Marília Arraes (neta de Arraes), Maria Arraes (neta de Arraes), Pedro Campos (filho de Eduardo) e Daniel Arraes Valença (neto de Arraes). Entre 1982, data do retorno das eleições diretas para o governo de Pernambuco, até a atualidade, apenas em 2014 nenhum integrante das famílias Campos e Arraes foi eleito para algum cargo em disputas estaduais. Confira abaixo. 1982: Miguel Arraes (PMDB) eleito deputado federal 1986: Miguel Arraes (PMDB) eleito governador pela segunda vez 1990: Miguel Arraes (PSB) eleito deputado federal e Eduardo Campos (PSB) eleito deputado estadual 1994: Miguel Arraes (PSB) eleito governador pela terceira vez e Eduardo Campos (PSB) eleito deputado federal 1998: Eduardo Campos (PSB) eleito deputado federal 2002: Miguel Arraes (PSB) eleito deputado federal e Eduardo Campos (PSB) eleito deputado federal 2006: Eduardo Campos (PSB) eleito governador e Ana Arraes (PSB) eleita deputada federal 2010: Eduardo Campos (PSB) reeleito governador e Ana Arraes (PSB) eleita deputada federal 2014: nenhum 2018: João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT) foram eleitos deputados federais 2022: Pedro Campos (PSB) e Maria Arraes (Solidariedade) foram eleitos deputados federais 2026: Marília Arraes (PDT) eleita senadora, Pedro Campos (PSB) eleito federal e Maria Arraes (PSB) eleita estadual Família Lyra Já a família da governadora reeleita Raquel Lyra tem historicamente um domínio político na cidade de Caruaru, no Agreste. O avô de Raquel, João Lyra Filho, e seu pai, João Lyra Neto, foram prefeitos da cidade. Raquel foi eleita duas vezes consecutivas para a prefeitura de Caruaru entre 2016 e 2020 e deixou o cargo em 2022 para chegar ao governo de Pernambuco. João Lyra Neto foi vice-governador de Eduardo Campos entre 2007 e 2014, quando assumiu o comando do estado com a renúncia do titular. Governou Pernambuco por oito meses. O irmão dele, e tio de Raquel, Fernando Lyra, foi uma liderança política de alcance nacional e foi ministro da Justiça entre 1985 e 1986, no governo do presidente José Sarney. Entre 1982, data do retorno das eleições diretas para o governo de Pernambuco, até a atualidade, nenhum integrante da família Lyra foi eleita para algum cargo apenas em quatro eleições estaduais. Confira abaixo. 1982: Fernando Lyra (PMDB) eleito deputado federal e João Lyra Filho (PMDB) eleito deputado estadual 1986: Fernando Lyra (PMDB) eleito deputado federal 1990: nenhum 1994: Fernando Lyra (PSB) eleito deputado federal e João Lyra Neto (PSB) eleito deputado estadual 1998: nenhum 2002: nenhum 2006: João Lyra Neto (PDT) eleito vice-governador de Pernambuco 2010: João Lyra Neto (PDT) reeleito vice-governador de Pernambuco e Raquel Lyra (PSB) eleita deputada estadual 2014: Raquel Lyra (PSB) eleita deputada estadual 2018: nenhum 2022: Raquel Lyra (PSDB) eleita governadora de Pernambuco 2026: Raquel Lyra (PSD) reeleita governadora de Pernambuco VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias